Before | Capítulo 6

domingo, julho 26, 2015 | | |


Narradora

- Rose? - Harry retornou a questionar, e dessa vez uma sobrancelha arqueada o acompanhava.

 A morena o fitou. O que ele faz aqui? Tudo bem que é uma biblioteca, mas ela relacionava o local como um lugar que Harry não escolheria para passar algum tempo, mesmo que por poucos minutos. A não ser pela biblioteca da escola, onde tinham que pegar livros para pesquisas quando precisavam. Olhou para Liam, ao seu lado, que tinha uma expressão entretida no rosto.

- Harry? O que faz aqui? - Rose finalmente perguntou.

- Não é óbvio? - Ele suspirou e explicou, quando os outros dois se entreolharam: - Lembra quando eu disse que gostaria de passar um tempo com você? A vi aqui dentro e, como está um gelo lá fora, decidi entrar para tomar algo quente - indicou a menina que servia café e chá na bancada mais a frente. Enfiou as mãos geladas e entorpecidas no bolso do casaco. - Não é nenhum crime. E você - se inclinou um pouco na direção de Liam -, vejo que sabe o quanto a companhia de Rose é agradável. Aliás... Atrapalho? - sorriu ladino.


- Na verdade... - começou Liam, em seguida voltou-se para Rose. Ela era tão pequena perto dele; ele gostava de seu jeito meigo e delicado, até às vezes atrevido, e amigo também. - Queria saber se gostaria de ir comigo no Royal Shakespeare Theatre, irão fazer uma apresentação de Hamlet amanhã. Temos 4 ingressos, eu, minha avó e meu avô estamos a procura da quarta pessoa para ir conosco.

- Amanhã? - ela mordeu o lábio inferior. - Tenho que ir trabalhar na padaria. Que horas que vai ser?

- Começa às 17:30h.

- Acho que consigo sair um pouco mais cedo amanhã. Eu vou - sorriu, já pensando que ainda teria que pedir a permissão do pai.

- Perfeito. Vai ser legal, e vai ter vários turistas - Liam também sorriu. - A propósito... - esticou o livro de capa dura que ele trazia nas mãos. - Seu exemplar de Hamlet.

 Rose estendeu o braço e pegou o livro. A mão direita passou ansiosa e admirando o material grosso da superfície; primeiro vinha o nome de Shakspeare, depois o título, Hamlet, e nesta edição continha uma ilustração de uma caveira com uma luz a iluminando no fundo preto. Ainda era novo, dava para perceber pela cor das páginas e a falta de indícios na capa de que alguém o havia usado. Ficou se perguntando se seria estranho o cheirar ali, era um costume e ela amava o cheiro de livros novos.

- Obrigada. - Levantou o olhar para o castanho. - Pelo convite também, e agradeça a senhora Hardware igualmente por mim.

- Disponha - o sorriso branco e bobo não não saiam de seus lábios ao encarar a menina. Mas se desfez assim que o outro garoto falou:

- Olha... Eu poderia falar que acabei de assistir a um romance nerd, mas vou ignorar isso - encolheu os ombros. Rose se sentiu ligeiramente desconfortável com o comentário, não por estar com Liam, mas por Harry os estar observando esse tempo todo. - Está sentada aqui, Rose? - apontou para a mesa com livros e cadernos espalhados. Ela assentiu. - Vou pegar um café. Com licença.

 Deu um passo para a frente, que foi bloqueado pelo corpo de Liam. Os dois eram da mesma altura.

- Só uma dica: "Acima de tudo sê fiel a ti mesmo, Disso se segue, como a noite ao dia, Que não podes ser falso com ninguém" - o encarou. Harry mantinha uma expressão confusa. - Vou ir ajudar minha avó a terminar de arrumar as estantes. Até amanhã, Rose. Eu e meus avós passamos na sua casa às 16:00h. Tudo bem? - depositou um singelo beijo na bochecha da amiga e seguiu para os fundos.

- Ele é sinistro - Harry observou e girou nos calcanhares, caminhando até a mesa de café e chá.

 Rose revirou os olhos e se sentou. Levou a mão para a xícara, seu chá já estava morno. O bebericou enquanto lia a página dos personagens e depois passava para a primeira página do primeiro ato. Harry retornou, o forte cheiro do café europeu se fez presente quando ele depositou a xícara na mesa, juntamente com um prato pequeno com biscoitos e dois muffins. Rose nem notou o segundo item, ainda concentrada no livro. Ele tirou o casaco cor bege, o colocando em volta do encosto da cadeira - por baixo ele ainda usava um moletom verde escuro com capuz.

 Sentou-se na cadeira que sobrara, de frente para a moça e tomou um gole de seu café. Olhou ao redor, esquadrilhando o lugar, não havia muitas pessoas, mas todas estavam concentradas: liam um livro em alguma mesa ou procurava por um nos corredores com estantes, uma ou outra ainda parava para checar o celular. Voltou a firmar as orbes em Rose, que virava uma página e começava a sentir o peso daquele olhar em si.

- O que aquele cara quis dizer com aquilo?

- Quer dizer com a dica? - ela fechou o exemplar cuidadosamente, deixando-o em cima da mesa. Concluiu que com o Harry ali, não iria conseguir continuar a leitura. - Ele fez uma citação a Hamlet. Quis dizer que acima de tudo, apesar de qualquer coisa, seja você mesmo. Que não pode ou deve ser falso com ninguém - fez uma breve pausa. - "Que não podes ser falso com ninguém", fingir ser algo para alguém - concluiu.

- Oh... - ele exalou. - Obrigado pela aula de literatura e moral. - E ficou quieto, como se tivesse refletindo o que ela disse. Depois voltou a olhar. - Sabe... Por um segundo, só um segundo, eu achei que vocês tinham esquecido de que eu estava aqui. - Harry a encarou com um olhar provocativo e nos seus lábios havia um esboço de um sorriso.

 Como alguém pode esquecer?, Rose pensou. Porém achou mais prudente dizer:

- Ele é meu amigo, você poderia pelo menos fingir que é simpático.

- Eu sou uma amor de pessoa, só você que ainda não percebeu. Devia dizer isso para o "seu amigo". Ele parecia bem feliz em convidar você na minha presença. Diz sim para ele, mas me enrola sobre a festa do Reece.

- Harry... - Rose apoiou o cotovelo na mesa e passou os dedos por debaixo dos óculos, coçando o olho. Teve um leve sobressalto ao sentir lhe tocarem a outra mão, esticada na mesa. A recuou, inconscientemente. Uma parte dela a repreendeu por isso no instante seguinte.

- Tudo bem, não vou mais te deixar constrangida. Mas se não quer eu a toque, pelo menos aceite os biscoitos que eu trouxe.

 Surpresa, ela viu um prato pequeno deslizar sobre a mesa, trazendo alguns biscoitos e dois muffins. Pegou um dos bolinhos e se derreteu ao sentir a massa com gosto de maçã e uma pitada de canela, enquanto Harry saboreava o seu de limão com chocolate. São sabores opostos, mas ele gostava e este estava divino.

 Após comerem - e o garoto ter deixado Rose terminar sua lição de história -, ela recolheu todos os cadernos e livros, os colocou na mochila e jogou a mesma sobre os ombros. Lamentou por Liam não ter aparecido outra vez. Com um suspiro exagerado, abriu a porta da biblioteca e saiu para o ar gelado, deixando o barulho irritante do sino para trás assim que Harry a fechou. Caminhou até sua bicicleta e a libertou das correntes.

 Se surpreendeu quando Harry perguntou se poderia ir junto com ela. Disse que estava com um amigo e o mesmo foi embora quando ele decidiu entrar na biblioteca. Após um momento com pensamentos a milhão e aceleração de sua respiração, ela concordou, apenas com um aceno de cabeça, o deixando subir na garupa. O que ele fez com a maior facilidade e se voluntariou para carregar sua mochila, alegando que seria difícil para ele se segurar com a mesma atrapalhando.

 Ele colocou a mochila nas costas. Rose montou na bicicleta, pensando se era melhor ela ir na garupa, quando os braços de Harry a envolveram na cintura. Suas mãos eram grandes e a seguravam firme.

- Está tudo bem? - perguntou, quando ela virou a cabeça para olha-lo.

- Sim. - Ela engoliu em seco, o coração acelerado. Voltou a virar para a frente, deu o impulso para se equilibrar e começou a pedalar.

 Com o cair da tarde, o vento soprava mais forte e frio. Rose torcia para não estar assim amanhã de noite. Na metade do caminho se flagrou cogitando se Harry não seria a pessoa misteriosa que mandara as mensagens para si, ficou tão imersa nisso que vacilou com o pé e eles quase caíram na rua. O garoto riu e pediu para ela parar de pensar na morte da bezerra e prestar atenção na trajetória.

 Assim que chegaram, Harry foi direto para a mansão e Rose correu para guardar a bicicleta, depois seguiu para sua casa. A porta da frente estava aberta; entrou gritando pelo pai, respirou fundo quando não teve resposta. Ouviu seu celular tocar. O procurou pela mochila e atendeu rapidamente, antes que a chamada caísse.

- Alô?

- Filha? Já chegou em casa? Deixei a porta aberta, vi que esqueceu suas chaves em cima da bancada - explicou o pai. Ela pegou e olhou para molho de chaves que estava do lado da mochila. Não havia reparado, teria mesmo ficado para o lado de fora se ele não fosse tão atento quanto ela.

- Pois é - as abaixou para a bancada novamente. - E sim, acabei de chegar.

- Tudo bem. Vai ter que jantar sem mim, se estiver com fome agora. Ainda estou em Londres com o Sr Stylinson. Você viu minha mensagem?

- Não. Não olhei no celular...

- Bom, daqui a pouco estamos indo embora. Tenho que ir, até mais tarde. Eu te amo.

- Também te amo, pai - respondeu e desligou.

 James pensava na filha, sabia que ela sentia falta e não gostava de ficar sozinha em casa a noite. Infelizmente foi uma coisa que teve de se acostumar desde muito pequena. Mas se certificava de que ela sabia que podia contar com ele a qualquer hora, para qualquer coisa, estando do lado dela fisicamente ou não.

 Rose olhou para a cozinha e foi preparar algo para comer. De Londres a Stratford-upon-Avon são duas horas. Talvez passasse mais rápido do que ela pensava.

- ღ -

  Na manhã seguinte, Rose foi despertada pelo pai, chamando para o café da manhã. Depois de fazer suas higienes pessoais, desceu para encontra um ótimo café, pão, um bolo de chocolate e ovos mexido. Fez uma careta para o último, não era muito fã de ovos mexidos pela manhã. Depois de comer, não havia exatamente algo para fazer, por isso foi ocupar o tempo com seu exemplar, e o pai pediu para que ela lê-se em voz alta para ele.

 Em algum momento começaram a fazer algumas cenas, rindo e se divertindo da voz grossa que o pai fazia. Se lembro do convite de Liam e pediu permissão, claro que ele deu. Achava Liam e sua família ótimas pessoas.

 Quando deu o horário para ir trabalhar, despejou um beijo no pai e correu pela grama, se não iria se atrasar. Deu de cara com Louis, que lhe ofereceu uma carona. Aceitou, e assim foram juntos para a padaria. Chegando lá, agradeceu e entrou pela porta dos fundos.

- Senhorita Juliet - disse ao ver a mulher perto de onde ficam os aventais. Ela a olhou de cima a baixo. A senhorita era de estatura média, cabelos ruivos presos em um coque alto firme, unhas bem feitas, e vestia uma saia e o avental de cozinheira por cima.

- Rose - sorriu do jeito... excêntrico dela. - Além de anotar os pedidos, preciso que arrume os cupcakes e bolos em suas bases na vitrine, pode fazer isso quando não estiver atendendo nenhum cliente. Seria tarefa do Hugo, mas aquele... - pareceu procurar a palavra, sua expressão era de irritada e gesticulava com as mãos. - Incompetente, faltou hoje e ainda nem ligou para se explicar o por quê. Enfim... - acenou, como se a dispensasse. - Faz esse trabalho para mim?

- Claro. E... - hesitou. - Será que posso sair um pouco mais cedo? Eu vou a peça de Hamlet...

- Ah, sim - acenou novamente. Ela adorava falar com as mãos. - 30 minutos. Apenas porque trabalhará por duas hoje - disse e se distanciou para falar com outro funcionário.

 Rose suspirou fundo e foi até o armário pegar seu avental cinza. O vestiu, cumprimentou seus colegas de trabalho e entrou para o salão, passando pelas portas duplas. Sorriu ao avistar o garoto castanho de olhos azuis em uma das mesas. Seguiu para onde ele estava. Louis sorriu quando ela se aproximou.

- Achei que tivesse ido embora.

- Decidi aproveitar a viagem - abriu os braços, sorrindo. Rose tirou o caderninho e a caneta do bolso frontal do avental.

- Qual o pedido?

- Duas fatia de bolo de cenoura com cobertura de chocolate, uma pepsi, e... Sugere alguma coisa, bela garçonete? - fingiu uma voz formal. Ela soltou um risinho.

- Nosso merengue de morango é ótimo, senhor, ou caso queira algo salgado, nosso cornish pasty dispensa comentários.

- Okay, quero um pouco de salgado também; portanto um cornish pasty.

- Sim, senhor.

- Você vai na peça de Hamlet hoje, Rose? - ela assentiu, enquanto anotava. - Ah, então deve ser por isso que Harry fez minha mãe comprar ingressos para irmos.

- O quê? - Rose reprimiu a voz, mas mesmo assim saiu com um gritinho. Olhou ao redor, vendo se ninguém a observava por estar demorando para pegar um pedido.

- Também nos surpreendemos - fez uma careta. - Ele sequer chegou a abrir qualquer livro de William Shakespeare ou se interessou por ele, mesmo com o fato de que moramos na cidade onde Shakespeare nasceu e está enterrado.

 Eles se encararam por um momento; Rose martelando sobre que diabos Harry acharia que ganharia com isso. Até que viu a senhorita Juliet passar pelas portas duplas, e se afastar para fazer o pedido de Louis.

Continua...


Lumus

Hello, girls!
Como vão? Eu vou bem. E primeiro. vou falar que o Liam aqui vai ter o sobrenome de Hardware por causa dos avós dele, mas a aparência vocês podem imaginar como se fosse o nosso Lee. Segundo, eu e a Liz ficamos felizes pelos comentários do cap anterior. Ás vezes por um motivo, óbvio, nós demoramos para responder, mas podem ficar cientes de que sempre iremos as responder, okay?
Até o próximo.
Bjão xx

Nox

Nossa Rose <3

4 comentários:

  1. Que fanfic perfeita, meo 'o'
    Continua hehe

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    1. Obrigada, Carol <3 Continuaremos em breve.
      Kisses xx

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  2. continuaaaaaaaaaaaaaaa logoooooooooo esta perfect estou amando minhas divas<3 bate aqui o/
    mas serio continua logo anja por favorzinhoooooo --- beijos da sua fã .....joliana mas prefiro Juuh

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    1. Obrigada, Juuh *O* Ficamos felizes e em breve teremos um capítulo novo ;)
      Kisses xx

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